quinta-feira, fevereiro 19, 2009

O PSDB e a difícil arte de aprender a somar

Maria Inês Nassif, do Valor Econômico
A divisão faz parte da dinâmica dos dois partidos que têm polarizado as eleições no país, o PT e o PSDB, mas o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou desenvolvendo mecanismos de disputa interna mais maleáveis à composição em torno de candidaturas que a legenda do governador de São Paulo, José Serra.

No PT, as piores brigas, as mais autofágicas, giram em torno do poder interno, que dá às tendências majoritárias maior poder não apenas sobre a máquina partidária, mas para conquistar espaços em governos petistas. Os embates não são personalizados: os atores se agrupam conforme suas posições políticas. Mais recentemente, assumiram importância os grupos comandados por políticos com bases clientelistas, donos de votos, mas ainda assim as tendências que se formam em torno desses personagens se integram à dinâmica interna de disputa política quer pelo controle de pedaços da máquina partidária, quer por espaços em governos, o que significa fazer alianças e compor. Os resultados de prévias partidárias, dados esses mecanismos menos personalistas que o PSDB de composição interna, acabam sendo melhor assimilados. Existe um pragmatismo maior nas decisões sobre candidaturas, pelo fato de não ser um partido onde as lideranças individuais têm um grande peso e porque a disputa entre os grupos mira também o horizonte pós-eleitoral, isto é, a composição dos governos, na hipótese de eleição dos candidatos do partido.

No PSDB, a personalização da luta interna dificulta a assimilação de disputas - incentiva, portanto, as divisões. A decisão sobre candidaturas nacionais sempre foi centralizada na direção nacional, que por sua vez não é produto da luta interna entre posições políticas, mas representa o consenso entre poucas lideranças. O cacife de cada postulante são os votos que ele pode arregimentar sozinho, como liderança política - e se supõe que a eles vão se somar posteriormente os votos resultantes da polarização com o PT (essa é a realidade na história recente, polarizar sempre com o partido de Lula); ou então o poder de desestabilizar, pela ameaça, seu adversário. Em 2006, o ex-governador Geraldo Alckmin desbancou a candidatura favorita dos cardeais tucanos, de José Serra, porque ameaçou disputar com ele na convenção nacional. Serra, que perdeu as eleições de 2002 em grande medida porque provocou a divisão do PSDB - apostando erradamente que o partido iria se unir mais na frente, durante a campanha - recuou e deixou Alckmin, nas eleições seguintes, às voltas com um partido igualmente dividido e tendo que administrar também uma derrota.

Nas eleições de 2010, essa incapacidade de assimilar discordâncias internas pode novamente comprometer o PSDB. O alarme já soou, tanto da parte do grupo de Serra como do lado do DEM. O ex-PFL não apenas está fechado com o governador de São Paulo na disputa pela Presidência, como abriu mão da vaga de vice, para que o PSDB tente negociar a saída do PMDB da base da candidatura governista - mas quer que seja o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o candidato a governador da coligação. O DEM tem se articulado para obrigar não apenas um entendimento entre Serra e o governador de Minas, Aécio Neves, sobre quem vai ser candidato (a preferência do ex-PFL, e a sua aposta, são em Serra), como uma rápida definição. Acha que a oposição tem que botar o bloco na rua, pois a última pesquisa Sensus/CNT revela, na sua avaliação, que a candidatura de Dilma Rousseff pelo PT já está consolidada junto ao eleitorado. Se não andar logo, a oposição corre o risco de ser atropelada pela candidata petista, mesmo tendo Serra como candidato, hoje o melhor colocado nas pesquisas.

Serra, por seu lado, está às voltas com a solução de uma equação difícil: como disputar com Aécio sem dividir o partido. Minas Gerais é o Estado com o segundo maior colégio eleitoral do país (10,86% do total de eleitores do Brasil) e, se não tem o poder de, por si só, garantir uma vitória de Aécio, se ele disputar a Presidência da República, pode ter o efeito de derrotar Serra, se for o governador paulista o candidato do partido à sucessão de Lula. Segundo um “serrista”, a questão agora é deixar claro para o eleitor mineiro que o PSDB não está subtraindo de Aécio as chances de tornar-se candidato a presidente, mas que o candidato será Serra porque ele é o que tem mais chances de vencer a candidata petista. Por esta razão Serra mandou recados para todos os lados que topa as prévias. Se elas vão ocorrer, é outra história. Mais para a frente, e antes da data marcada, a situação pode ser resolvida em favor do paulista com manifestações claras e inequívocas de maioria dentro do partido - o apoio declarado, por exemplo, dos 26 dos 27 diretórios estaduais do partido. Não existe entusiasmo com as prévias, até porque os “serristas” não acreditam que o governador mineiro tenha a intenção de se unir ao candidato vitorioso se perdê-las, mas a questão agora é não dar chances para que Aécio pareça vítima - nem pretexto para que ele deixe o partido e leve o eleitorado mineiro a votar contra a candidatura de Serra.

Enquanto isso, os grupos do PT se articulam em torno da candidatura de Dilma Rousseff. Praticamente não há resistências internas ao seu nome. A ministra, por sua vez, tem se aproximado e mantém conversas com as tendências petistas. É uma forma de se inserir na lógica do partido, de abrigar as discordâncias internas e, ao mesmo tempo, unificar as tendências que brigam pelo poder da máquina no mesmo palanque. Um jantar na residência da ex-prefeita Marta Suplicy foi uma aproximação com o PT paulista que rearticula um campo majoritário e, assim, a hegemonia no partido. Também tem marcada uma reunião com a tendência Mensagem ao PT, do ministro da Justiça, Tarso Genro.

O pragmatismo petista deve-se ao fato também de ser um partido que depende muito do seu grande líder, o presidente Lula, mas mais ainda de sua estrutura nacional e da identificação do eleitor com a legenda para conseguir votos. No caso do PSDB, o pragmatismo é menor porque disputam a ribalta grandes líderes num partido com pequena capacidade de se unificar nacionalmente.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras
E-mail: maria.inesnassif@valor.com.br

domingo, fevereiro 15, 2009

E se os 84% fosse de um presidente tucano com crise internacional

O governo Lula bate recorde de popularidade. E a oposição esperneia, pois contou com o alarmismo da mídia para derrubar os índices de popularidade do presidente. Mas vamos fazer uma construção hipotética:

1)      se o Brasil de hoje fosse de um governo da aliança PSDB-DEM-PPS;

2)      se o presidente também estivesse em segundo mandato;

3)      se o presidente hipotético tivesse também 84% de aprovação;

4)      se o candidato mais bem colocado nas pesquisas para a eleição de 2010 fosse do PT, um partido de oposição ao hipotético governo; e

5)      estoura a crise internacional, a maior desde 1929, com falência de bancos nas economias desenvolvidas.

Nessa situação hipotética, como a mídia trataria de temas polêmicos como terceiro mandato. Será que a mídia destacaria a crise com alarmismo para enfraquecer o governo ou faria dela uma desculpa para dar mais um mandato para o hipotético presidente tucano-demos? Mas Lula não quer um terceiro mandato. E já tem sua candidata, Dilma, para o desespero da mídia e da oposição política. Fica uma dúvida: será que Serra, FHC ou Aécio dispensariam um mandato adicional com apoio midiático. É apenas uma dúvida para reflexão.

Arthur Virgílio defende prévias dentro do PSDB

Do Blog do Noblat

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, disse em entrevista ao programa "É Notícia", da RedeTV!, que José Serra está errado ao atacar a política monetária.  
Avalia que o Banco Central tem de receber autonomia legal e que a crítica do governador de São Paulo aos juros altos é equivocada. Ele disse que a política econômica de Lula é continuidade da política econômica de Pedro Malan e de Armínio Fraga.  
Segundo Virgílio, se o PSDB fosse escolher hoje o seu candidato, Serra seria o vencedor. Mas ele acha que não se pode negar ao governador de Minas, Aécio Neves, o direito de disputar a indicação em prévias. Afirmou que seria um erro Serra se indispor com o político mais importante do segundo maior colégio eleitoral do Brasil.  
Defendeu as prévias, dizendo que elas foram importantes para que os democratas vencessem as eleições nos EUA _Barack Obama e Hillary Clinton concorreram.  
Afirmou que Serra precisará sair de São Paulo e visitar o Piauí e o Amazonas se quiser ser candidato. Disse que discordava da proposta de FHC de antecipar a escolha do candidato do PSDB. Declarou que o PSDB não pode fazer um escolhe de caciques.  
Contou que, no governo FHC, sugeriu ao então presidente que não nomeasse de novo Geraldo Brindeiro para a Procuradoria Geral da República. Brindeiro era conhecido como engavetador-geral da República. Virgílio disse que sugeriu os nomes de Cláudio Fontelles e de Antonio Fernando Souza, mas FHC não lhe ouvidos. Lula nomeou os dois, os mais votados em lista da categoria para chefiar o Ministério Público federal.  
Afirmou ainda que FHC tinha um núcleo de governo mais preservado de escândalos de corrupção do que Lula. Mas reconhece avanços do atual governo nas áreas social e econômica.  
Também disse que foi um erro ter feito o famoso discurso no Senado no qual ameaçou bater no presidente da República. Afirmou, porém, que o governo não se interessou em investigar uma a ameaça à sua filha _o motivo de seu discurso na época.  
Classificou Sarney como uma raposa política que já fez mal ao país, apesar de ter conduzido bem a democratização pós-morte de Tancredo em 1985. Falou da juventude no Rio de Janeiro, quando participou de atos contra a ditadura e aprendeu jiu-jitsu com a famosa família Gracie. A entrevista vai ao ar à meia-noite deste domingo. 
O programa é apresentado por Kennedy Alencar, jornalista da Folha de S. Paulo em Brasília     
Comentário do blogueiro: A entrevista de Arthur Virgílio expõe um pouco as dificuldades dos tucanos de tomarem posição. Se a política econômica e a política social do governo Lula são boas, o que sobra para o PSDB apresentar para o distinto eleitor. Não falem em corrupção, atém porque os tucanos são especialistas nessa área. Aliás, quando o senador diz que o núcleo do governo FHC era mais preservado de escândalos de corrupção do que Lula, o que faltou dizer é que os responsáveis eram justamente Geraldo Brindeiro, a Polícia Federal tucana e sua Controladoria-Geral da União, que servia apenas para investigar repasses para seus adversários. Tudo ficou para trás. 

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Pimentel e Veja: A bala perdida no Palácio do Planalto

"O que mais irritou o presidente Lula é tratado no Palácio do Planalto como o crime confesso. Pimentel disse à revista que iria usar o cargo público para fazer campanha eleitoral para Dilma"

Da Coluna de Baptista Chagas de Almeida, do Estado de Minas

A metralhadora giratória acionada pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, em entrevista à revista Veja, mandou uma bala perdida para o principal gabinete do Palácio do Planalto. Atingiu em cheio o próprio presidente Lula, que está irritado com as declarações e é apontado como responsável pela ausência da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, do encontro que o PT fará este fim de semana em Belo Horizonte. É claro que há um silêncio em torno do assunto. A própria influência presidencial na decisão de Dilma é apenas especulação. É certo, contudo, que Pimentel conseguiu desagradar a todo mundo com a entrevista. Do presidente Lula ao governador Aécio Neves, que ontem reagiu, pela primeira vez, publicamente. Sem contar os colegas de partido, os ministros Patrus Ananias, de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência, que tinham optado por uma postura de armistício interno no PT. Sem contar a ministra Dilma, também atingida indiretamente pelas palavras mal formuladas.

O que mais irritou o presidente Lula é tratado no Palácio do Planalto como o “crime confesso”. Pimentel disse à revista que iria usar o cargo público para fazer campanha eleitoral para Dilma, pré-candidata à sucessão de Lula. Também desagradou ao presidente o fato de Pimentel ter relatado que teria um cargo no governo, passando o carro na frente dos bois e desrespeitando a liturgia do rito que este tipo de coisa deve ter. No caso do crime eleitoral, atingiu também Dilma.
Não é à toa que a oposição, em especial o PSDB, o DEM e o PPS, estuda ir à Justiça para acusar Lula e Dilma de campanha antes da hora, o que é proibido pela Justiça Eleitoral.

O resultado é o completo esvaziamento do encontro que o PT mineiro fará neste fim de semana para marcar o início de seu processo interno de eleição e começar as discussões em torno do programa de governo para a disputa pelo Palácio da Liberdade no ano que vem. Quem fala demais...

Comentário do blogueiro: Pimentel conseguiu com a entrevista da Veja desagradar a todos: Lula, Dilma e Aécio. E ainda atacou Patrus e Dulci e seus aliados, “o setorzinho xiita do PT”. O ex-prefeito petista continua no estilo atropela todo mundo, e se achando o todo poderoso. Cantando ao quatro ventos o preferido de Lula e Dilma. Sabemos que ele é o preferido de Dirceu, mas até aí tudo bem. A Dilma também é. Mas a atitude de Pimentel é mais prova inequívoca de que ele se julga acima dos partidos, em que o PT é somente um instrumento de seus projetos pessoais. Acorda PT. Está na hora de dar um basta em tudo isso: Patrus 2010. Os mineiros merecem o melhor. E o Brasil também.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Sucessão Mineira: Jogada de Mestre

Sobre o quadro eleitoral mineiro, uma boa avaliação do Blog do Bruno, de Belo Horizonte, traçando um cenário com a vinda de Pimentel para o governo federal, provavelmente o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), devendo ainda ser o principal coordenador da campanha de Dilma 2010. Nesse caso, Patrus Ananias disputaria o governo mineiro, aglutinando em torno de si boa parte do consórcio governista, e ainda dando à Dilma um ótimo palanque no segundo colégio eleitoral do país. De fato, é uma jogada de mestre, pois unifica o PT mineiro que chega em 2010 com chances de chegar ao Palácio da Liberdade, ao mesmo tempo a candidata Dilma tem um quadro respeitável (apesar das diferenças que guardo) para um futuro governo. Segue o post logo abaixo:

Do Blog do Bruno

Jogada de mestre

José Sarney foi eleito presidente do Senado e Michel Temer, da Câmara. Isso tem monopolizado as atenções dos comentaristas políticos, que tentam analisar quem ganhou e quem perdeu com essas eleições. E não tem havido consenso; uns dizem que Lula saiu vitorioso e outros, que ele sofreu uma derrota. Há também os que dizem que ele ganhou no Senado e perdeu na Câmara, pois Sarney lhe é simpático e Temer faz parte da "ala tucana" do PMDB. O único consenso que existe é que essas eleições no Congresso serão importantíssimas para o pleito presidencial de 2010. Quanto a isso não restam dúvidas.

Mas o jogo de xadrez não se limita a isso. Lula, ao que parece, está prestes a fazer uma jogada de mestre: o presidente convidará Fernando Pimentel para presidir o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, dando ao ex-prefeito o status de ministro.Você logo vai saber por que eu acho esse convite tão genial.

O PT mineiro está dividido em 2 grupos: o de Fernando Pimentel e o de Patrus Ananias, ambos querendo concorrer ao governo em 2010 -- qualquer um dos dois disputaria a eleição com grande chance de vencer. Esse racha ficou mais escancarado nas últimas eleições, quando Pimentel enfiou o Marcio Lacerda e a aliança com os tucanos goela abaixo do partido. Patrus não gostou, e fez questão de dizer isso aos quatro ventos. Embora no final tenha vencido a parada, com a eleição de Lacerda, Pimentel ficou sem clima no partido e está sendo tachado de traidor por muitos eleitores da esquerda mineira. Eles avaliam que Pimentel entregou de mão beijada a prefeitura de BH, que foi governada com muito sucesso por PT e aliados por 16 anos, para a turma do Aécio (em troca, este o apoiaria na eleição para o palácio da Liberdade, em 2010), por uma pura questão de ambição pessoal. Enfim, foi a famosa vitória de pirro. Chegou-se até a falar aqui nos botecos de BH que Pimentel, enfraquecido e prevendo-se sem espaço, deixaria o PT rumo ao PSB e à uma secretaria no governo Aécio.

Fernando Pimentel, apesar desse erro estratégico de andar a reboque de Aécio, é um excelente quadro do PT, não há como negar. Mas só há uma vaga para candidato a governador pelo PT nas próximas eleições, e, na opinião da maioria dos petistas e de outros eleitores de esquerda de Minas Gerais, essa vaga tem de ser de Patrus Ananias. E é aí que entra a jogada genial de Lula. Pimentel está fragilizado dentro do PT e, magoado e prevendo que seria preterido na disputa interna com Patrus, poderia deixar o partido, que perderia um ótimo quadro e um político para lá de popular, além de correr o risco de o ex-prefeito engrossar as fileiras adversárias. A intenção de Lula com esse convite seria "resgatar" Pimentel e, daqui a um ano, torná-lo homem-forte da campanha de Dilma. Ele seria o Palocci dela. E, em caso de vitória da petista, seria o seu provável ministro da Fazenda.

Com esse lance, Lula contentaria os dois gigantes do PT mineiro. Abriria caminho para que Patrus fosse o candidato a governador, sem ter enfrentar uma desgastante disputa interna (lembre-se, estamos falando de Minas Gerais. As disputas aqui se dão silenciosamente, nos bastidores, mas são violentíssimas) e prestigiaria e estimularia o ex-prefeito Pimentel, que, com certeza, se engajaria ao máximo na campanha de Dilma. Esta, por sua vez, também não sairia de mãos abanando: ela teria um ótimo palanque em Minas Gerais com o Patrus e um aliado de peso na condução da sua campanha e um quadro muito interessante no seu ministério.

É notório que, se não der um daqueles seus famosos tiros no pé, o PT é talvez o grande favorito a ganhar a próxima eleição para o governo do estado que tem segundo colégio eleitoral do Brasil, o que, além de tudo, seria importantíssimo para as pretensões de Dilma (sabemos o quão importante é ter um bom palanque em Minas Gerais para se vencer uma eleição presidencial no Brasil, não é mesmo?). Lula é esperto, e está planejando fazer a jogada certa, dar o golpe de mestre, para evitar a possibilidade de uma indigesta disputa interna, que poderia tirar o seu partido da privilegiada posição em que se encontra em Minas Gerais.

Bolsa Família: Uma resposta à altura do Ministro Patrus à Globo


O Blog Crápula Mor publicou um post acerca da resposta de Patrus Ananias (PT), Ministro de Desenvolvimento Social, sobre uma matéria do Jornal Nacional da Rede Globo. Desde aquela matéria do Fantástico em 2004 acerca de desvios do Bolsa Família, a Globo não se cansa de atacar não só o programa mas toda a rede de proteção social do governo Lula.

A emissora, sob a orientação de Ali Kamel, sistematicamente ataca o programa que é sucesso reconhecido por estudiosos do Brasil e do mundo. Aliás, o Bolsa Família é modelo de políticas públicas que o governo Lula tem exportado para outras nações. Os próprios organismos internacionais reconhecem a importância do programa para o combate à desigualdade social e geração de renda. A Globo, por outro lado, não se conforma com o fato de que parcela ainda pequena dos recursos do Estado é distribuída para os mais pobres.

Sobre o ministro Patrus Ananias, esse blog defende sua atuação política. É, sem dúvida, um dos melhores ministros do governo Lula. Sob sua batuta, os programas sociais foram consolidados, melhoraram a gestão e tiveram avanços significativos. Para quem conhece o trabalho de Patrus mais tempo, isso não é novidade. Além disso, o ministro é uma grande reserva ética e moral do PT, a figura mais expressiva do PT mineiro.

Esse blog defende Patrus 2010 presidente. É uma candidatura com forte apoio de Minas e Rio, e com facilidade de penetração nas regiões Norte e Nordeste do país. Não tenho dúvidas de que é o melhor candidato do PT para vencer José Serra, o provável candidato do PSDB. Mas como a ministra Dilma largou na frente, sendo a preferida do presidente Lula, Patrus Ananias deverá caminhar para o governo de Minas. Aliás, Dilma também é uma boa escolha, embora não saiba dizer até que ponto sua inexperiência política não pesa na dura campanha eleitoral de 2010. Não tem nada de Pimentécio, esse blog apóia o candidato Patrus em 2010. Segue o post do Crápula-Mor:

Resposta do Ministro Patrus sobre a Globo

Nos próximos textos, vou compartilhar com os leitores um pouco da minha experiência no Forum Social Mundial. Começo com o que considerei o ápice da minha trajetória no evento. Depois de descobrir que não haveria um debate sobre Cotas Universitárias, organizado pelo programa de pós-graduação em Direito da UFPE, que eu pretendia assistir, comecei a rondar pela UFPA. Parei em um auditório, onde corria o boato de uma atividade com a presença do Ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. Acabou ali a minha andança. Peguei um material do Ministério do Des. Social (muito bem produzido) que estava disponível, sentei em uma poltrona lá na frente, e fiquei esperando. Não demorou e começaram a chegar os integrantes da mesa: professores, prefeitos, representantes de ONGs e, para minha surpresa, o Senador Eduardo Suplicy! Desprendido, o Senador começou ele próprio a distribuir aos presentes livros de sua autoria: o Relatório de Viagem ao Iraque e Renda Básica de Cidadania. Mais tarde, depois que muitos já haviam falado, chegou o Ministro Patrus Ananias, ex-prefeito de Belo Horizonte, hoje responsável pela Rede de Proteção Social do Governo Lula, que inclui o Bolsa Família.


O debate se deu entre aqueles que defendem, como o Senador Suplicy, uma Renda Básica de Cidadania assegurada a todo e qualquer cidadão brasileiro, rico ou pobre, e os que acreditam que, no momento, os programas sociais devem focar nas pessoas mais carentes, posição do Ministro Patrus. O debate foi profundo, de alto nível, amigável e até descontraído, já que a todo o momento tanto o Ministro quanto o Senador faziam questão de reafirmar a amizade que têm. Seria até leviano tentar reproduzir um debate de mais de 3 horas. Mas, basicamente, os defensores da Renda Básica geral e irrestrita alegaram que os Governos que experimentaram esta proposta tiveram os resultados mais expressivos na desconcentração da renda, o modelo acaba com a vergonha por parte daqueles que recebem o benefício (já que seria direito de todo cidadão), e ainda dispensa as contrapartidas exigidas pelo Governo – como freqüência escolar e vacinação – que podem retirar o benefício de pessoas que realmente precisam. Do outro lado, o Ministro Patrus alegou que não é possível comparar a situação do Brasil com a de outras nações e que, pelo menos por enquanto, é melhor distribuir os recursos da área Social para programas voltados apenas para a população mais pobre, historicamente mais atingida.


Ao final das falas, abriram para perguntas. Claro, levantei a mão. Perguntei aproximadamente o seguinte: “Ministro Patrus, eu gostaria de trazer a discussão para o campo da Comunicação. Ontem mesmo, o Bolsa Família foi pauta do Jornal Nacional. Na matéria, mostraram uma moça que recebe o auxílio, dizendo que preferia que a renda viesse de um emprego, e um especialista, dizendo que o Governo deveria investir mais e gastar menos. Sendo ‘o gasto’ o Bolsa Família. Matérias como essa dão a entender que Programas de Transferência de Renda inibem ou prejudicam a geração de emprego. Entretanto, a realidade mostra justamente o oposto. Como o Senhor avalia a relação da mídia com a temática da transferência de renda?” Não sei nem se eu teria autorização para divulgar a resposta, mas já que são temas públicos...

Patrus Ananias foi categórico! Não tive como registrar as palavras exatas, infelizmente. Mas o Ministro falou que os Programas Sociais têm grandes inimigos, a Rede Globo é certamente um dos maiores. Disse que já ouviu de editores globais que eles respeitam a pessoa do Ministro, sua trajetória, mas são contra os Programas do Governo. Para Patrus, é nítida a má vontade da mídia para com as ações do Desenvolvimento Social, pois existe uma verdadeira disputa pelos próprios recursos da nação.

Enquanto os Governos anteriores investiam em infra-estrutura, para que a classe empresarial fosse beneficiada, este Governo destina parte dos recursos públicos para a população mais pobre. O discurso do “mais investimento e menos gasto” está mascarando uma falácia: de que o desenvolvimento econômico por si só garante avanço social. Para o Ministro, isto não procede, já que o próprio Brasil teve momentos de grande crescimento econômico, mas a pobreza e a miséria persistiram. Daí a necessidade de Políticas Sociais. Ficou claro que o Bolsa Família não está isolado, mas compõe toda uma rede de Programas, que também incluem capacitação profissional, doação de equipamentos, compra da produção de pequenos agricultores, financiamento pelo Pronaf, democratização do acesso à água (com Cisternas) e à eletricidade (com o Luz Para Todos), Restaurantes Populares, enfim. Uma série de medidas que substituem 'assistencialismo' por Políticas Públicas de Desenvolvimento Social, e resgatam brasileiros da situação de miséria e pobreza, incluem massas no mercado de consumo – o que gera um efeito multiplicador e beneficia toda a economia, e garantem o direito constitucional ao mínimo de dignidade, à segurança alimentar, à vida.

Aécio-Pimentel: Entrevista do ex-prefeito à revista Veja sinaliza rompimento da aliança

A entrevista de Fernando Pimentel (PT) na revista Veja pode chancelar o divórcio de uma aliança política que nunca houve de fato, apenas serviu para entregar ao PSDB de Aécio o controle sobre a prefeitura de Belo Horizonte. Os apoiadores de Pimentel construíram uma aliança com Aécio para dividir o comando da capital mineira com o PSDB de Aécio e o PT ligado à Pimentel e Virgílio Guimarães, desbancando da prefeitura políticos ligados aos ministros Patrus Ananias e Luís Dulci. O argumento era de que o governador retribuiria o apoio à Pimentel para o governo estadual. A historinha é mais que conhecida. Quem acredita em contos de fada, duendes e nos políticos, não custa nada também acreditar nesse lenga-lenga. 
Aécio Neves (PSDB) vem promovendo a candidatura de seu vice-governador, Antônio Anastásia, que tem se exposto pelo interior de Minas. Só faltava uma desculpa para romper politicamente com o ex-prefeito. A desculpa veio na entrevista de Pimentel à Veja. De fato, Pimentel foi afoito ao dizer que Aécio era carta fora do baralho na sucessão de Lula pelo PSDB. É claro que Pimentel fez uma constatação, só que vindo de um aliado das últimas eleições municipais não soou bem. O ex-prefeito de Belo Horizonte tem se especializado na traição. Antes, traiu Patrus Ananias, este que o levou para a prefeitura de Belo Horizonte, e depois apoiou seu nome para vice de Célio de Castro. Assim, Pimentel chegou ao comando da prefeitura. Todavia, Pimentel preferiu seguir por outros caminhos, abandonando Patrus e os aliados tradicionais da administração municipal, como PC do B e PMDB. Preferiu aliar aos adversários, jogando para o escanteio seus aliados. É assim mesmo. Pimentel experimenta do próprio veneno. Segue uma reportagem publicada no Estado de Minas.   
Declaração provoca racha entre Pimentel e PSDB
Depois de caminharem de mãos dadas para eleger o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), o ex-prefeito da capital Fernando Pimentel (PT) e o governador Aécio Neves (PSDB) estão praticamente de caneta em punho para assinar o divórcio político. O motivo foi a declaração dada por Pimentel no fim de semana de que Aécio não será o candidato dos tucanos à Presidência da República em 2010, e que o governador de São Paulo, José Serra, disputará o cargo pelo partido no ano que vem. 
O posicionamento de Pimentel jogou folhas para o alto no ninho tucano. O secretário-geral nacional do partido, deputado federal Rodrigo de Castro, disse que o ex-prefeito demonstrou completo desconhecimento do que ocorre no PSDB. "Essa não é a realidade do partido. Há a garantia de que Aécio pode ser posicionar como pré-candidato dentro da legenda e que, até o momento, não há nenhuma definição em relação a quem disputará o cargo pelo partido em 2010", declarou.  
O parlamentar acrescentou que, "para uma pessoa que quer ter vôo mais alto no estado, Pimentel está na contramão inclusive do sentimento dos mineiros, que, segundo pesquisas, querem ver Aécio na presidência", disse Rodrigo de Castro. 
O parlamentar afirma que a tendência é a realização de prévias para definição do candidato e que a escolha interna só não ocorrerá se houver um acordo entre os dois pré-candidatos. "No cenário atual, o que existe é que ambos estão muito animados com a possibilidade de concorrer", afirmou. 
Em meio às reações tucanas, um correligionário do governador com cargo no alto escalão do partido disse que Pimentel, ao se referir dessa forma a Aécio, quis mostrar serviço. "O ex-prefeito quer espaço no governo federal. Tudo bem, mas não precisa ganhar ponto lá detonando aqui", analisou. Pimentel é cotado para assumir posto em Brasília. Uma das possibilidades é a secretaria-executiva do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CNDES). 
Para o primeiro-secretário da Câmara dos Deputados, Rafael Guerra (PSDB-MG), Pimentel "passou o carro na frente dos bois" ao opinar sobre o destino político do governador. O parlamentar disse ainda que as declarações do petista sinalizam ser de alguém que "precisa se aproximar do PT para ter um cargo no governo federal". O tucano afirmou também que Pimentel "não decide espaço no PSDB.