terça-feira, outubro 19, 2010

Flor das Gerais

Um texto escrito por um belo-horizontino apaixonado por sua terra natal conclamando seus conterrâneos a unirem em torno do projeto político que Dilma representa, uma outra mineira e belo-horizontina, para que o Brasil continue distribuindo renda, reduzindo as desigualdades sociais, com emprego, educação, saúde, cultura, respeito às minorias, à diversidade, etc. Para os eleitores de Marina Silva, a candidata Dilma foi a única que aceitou a aliança programática em torno das propostas defendidas pela Marina. Não deixem que mágoas do processo político os levem em direção à candidatura mais reacionária desde a redemocratização. O recado ou o puxão de orelha já foi dado. Não façam disso um caminho sem volta que nos levem ao retrocesso, à intolerância religiosa, à perseguição aos movimentos sociais e à interrupção dos avanços sociais.

Importante: a candidatura adversário alega que manterá os avanços feitos até hoje, mas isso é muito pouco para o que nós sonhamos. O Brasil mais justo e igualitário.

Gustavo Antônio Galvão dos Santos*

Moro fora da minha cidade natal, Belo Horizonte, há 8 anos. Esse ano fui “em casa” para votar, mas achei a cidade mudada. Sempre vota unida pra Presidente. Dessa vez, pareceu votar dividida. Nenhum dos candidatos teve maioria, e Marina teve 40%, sua melhor votação entre as capitais. 

Minha filhinha de 6 meses me faz chorar de saudade e alegria, como não ocorria desde criança. Ela é carioca como a mãe. Aliás, é nascida no Rio, porque, pra mim, em Minas vale um princípio jurídico chamado jus sanguinis. Cuja tradução literal do latim, segundo meu advogado, significa exatamente: “é mineiro, quem é filho de mineiro, não importa onde nasceu.” Não sei se devo confiar no advogado, mas eu fico impressionado como no latim é possível exprimir frases complexas em duas palavras. 

Então, minha filhota é mineira e não tem conversa. Mas também é carioca. E isso não é contraditório, porque ser mineiro é qualidade, não é exclusivismo. E ela também vai adorar ser carioca. Porque, se BH foi bem projetada pelo arquiteto Aarão Reis e remodelada por JK, o Rio foi projetado por Deus, e Ele é incomparável. Mas os mineiros são bons de serviço criando belas capitais do nada. Brasília é um grande e belo parque, onde as pessoas têm prazer em morar sem muros, no meio das plantas e passarinhos. 

Minha família é das cidades históricas, Ouro Preto, Sabará, Oliveira. A maioria dos meus avós, bisavós, tataravós, pentavós, sei lá o que, são mineiros. Minha avó até dizia que a gente é descendente dos inconfidentes. Não sei de onde ela tirou isso, acho que em Ouro Preto todas as avós devem dizer isso. Só não digo, meu time do coração. Mineiro não mistura política com futebol, porque sabe que nessa matemática vale mais a soma do que a divisão. 

Neste segundo turno, os candidatos são um paulista da capital e uma mineira da capital. Eu admiro muito São Paulo. Acho que é o povo mais empreendedor, ousado e engenhoso do Brasil. Mas, na política, às vezes, têm ousadia demais. São muito diferentes dos meus conterrâneos. Alguns políticos paulistas fazem política como se fosse guerra, “ou se está do nosso lado ou se está contra nós”. Mineiro faz política como se fosse música, buscando a harmonia nos contrastes. Esperteza sim, mas com cordialidade. 

Uma coisa é guerra, outra é deslealdade e baixaria. Há uns poucos políticos paulistanos que, quando podem, fazem política com a delicadeza de um trator de esteira passando em um canteiro de orquídeas. Nesta campanha, povoaram a Internet e jornais de calúnias, ódio, preconceito, intolerância e agressividade. Sujaram a democracia, o progresso, espírito de tolerância e a legitimidade da escolha dos mais humildes. 

A postura do ex-governador Aécio Neves é o oposto dessa. Ele segue os preceitos do avô e preza a cordialidade na disputa política. Aécio é o melhor jogador de xadrez da política brasileira neste século. Articula melhor do que Lula. 

O enxadrista das Gerais tem inteligência e DNA especial para política. Lula também é muito inteligente. Mas não é isso que lhe faz ser um mito. Lula é um grande comunicador. Sabe tocar os corações, quando fala. Porque ele próprio também tem um grande coração. Errando ou acertando, ele decide e se expressa com o sentimento. 

Aécio tem outro estilo, mineiro, trabalha em silêncio. Ainda jovem, deu nó no Serra, FHC, ACM, Jader Barbalho e se tornou – contra o próprio partido – Presidente da Câmara dos deputados. Ali ficou claro que ele tinha herdado a inteligência e o talento do avô. E isso nos enche de orgulho. 

Aécio no Senado vai fazer bonito, e faria também na diplomacia global. Se tiver a chance, ensinará ao mundo o que significa a expressão brasileira: “dar nó em pingo d’água”. Se bobearem, é capaz de unir Coréia do Norte com do Sul, e sem avisar. 

Mas eu quero falar sobre o voto no 2º turno. As pessoas precisam se conscientizarem e refletirem no que é melhor para o Brasil, Minas e BH e votarem unidas. 

Vou colocar um ponto muito importante. A Dilma é mineira. Mas não apenas isso, Dilma é de BH. Na história, presidente mineiro é mais comum do que Pequi no sertão de Montes Claros. Porém, nunca houve um presidente de BH! Porque BH é cidade nova, crescida de poucas décadas. 

Tá na hora dos mineiros mostrarem ao Planeta Terra o valor da gente de sua Capital. Porque o mundo vai saber! O Lula colocou o Brasil no lugar que ele merece estar. Os discursos dele na ONU fazem chorar até mesmo os diplomatas, principalmente da África e países pobres. Isso é incrível! Diplomata é gente fria, acostumada a ouvir discurso, fechar acordos impublicáveis, e fazendo cara de paisagem. Presidentes e líderes do mundo todo correm para tocá-lo como povão faz nas visitas dele ao Jequitinhonha. 

O Brasil sempre foi considerado um país simpático, mas exótico. Lula fez do Brasil uma nação influente e importante. Colocou o Brasil nos corações e mentes de todo mundo. E especialmente nos jornais. Se antes, o Brasil nem ousava palpitar nas grandes decisões mundiais, agora, todos querem saber a posição do Brasil em tudo. Querem saber sempre, se o Brasil de Lula concorda ou se discorda. E como estamos sempre defendendo a posição dos países mais desfavorecidos, viramos a reserva moral do Planeta. Hoje somos visto como o país que não faz diplomacia para impor seus interesses, como fazem as grandes potências. Nossa diplomacia tem buscado fazer o que é certo. Somos a voz daqueles que não tinham voz. A Voz da África e da América Latina. Foi Lula quem construiu isso. “O cara”, segundo Obama, virou celebridade mundial. Faz até analfabeto comprar jornal no interior da Conchinchina. 

Agora que o Brasil é centro das atenções, temos a chance de ter uma belo-horizontina como celebridade mundial. Moça de BH ser celebridade pela beleza é comum. Mas será a primeira vez que uma mulher brasileira será considerada uma das três maiores líderes mundiais. Porque o novo Brasil é visto como país central na diplomacia mundial. Dilma tem inteligência, experiência e liderança para mostrar ao mundo o que mineiras são capazes. Será uma grande honra para BH. 

E ela já mostrou que é competente. Todos os indicadores econômicos e sociais do governo Lula foram superiores no 2º mandato, quando a Dilma governou soberana a Casa Civil, o principal ministério e que coordena todo o governo. Mas o indicador que sintetiza a qualidade do que foi realizado é a popularidade do governo. Hoje é muito maior do que quando ela assumiu sua a gestão há 5 anos. 

Os gaúchos são um povo muito culto e politizado. Eles conhecem as realizações dela, onde foi Secretária de Energia e Fazenda. Lula teve uma das suas piores votações em 2006 no Rio Grande do Sul. Agora, Dilma surpreendentemente teve maioria lá. 

Mas há outro lugar onde Dilma tem maioria absoluta, aliás, 100% de intenção de voto. Esse lugar é a Bulgária, na Europa. Como Minas, a Bulgária é um país montanhoso. Seu povo guerreiro tem mais de 1000 anos de história. Foram invadidos, dominados, massacrados por dezenas de potências estrangeiras por séculos a fio. Mas nunca baixaram a cabeça, fizeram sua Inconfidência e conquistaram a independência. Hoje vivem tranqüilos com o conforto de pertencer à próspera União Européia. Próspera, mas em crise. 

A Grécia, que é pertinho, está em uma crise muito feia. Na Europa toda, há greves gerais, demissões em massa, colapsos financeiros. A França está até expulsando imigrantes, inclusive os búlgaros. 

Na Bulgária, nada disso é notícia. Há três meses, eles só querem saber das eleições no Brasil. Todo dia é manchete de jornal: Dilma subiu, Dilma caiu, Dilma subiu. Ficaram decepcionados por ela não ter vencido logo no 1º turno. Estão dizendo que Dilma será a “búlgara” mais poderosa do mundo. A “búlgara” mais famosa da história. 

Uai, mas a Dilma não é de BH? É, mas o pai é mineiro por adoção e paixão, porém, búlgaro de nascimento. Ele foi embora da Bulgária há tanto tempo, que ninguém lá lembra o motivo. Hoje os prováveis parentes estão famosos. Os jornalistas investigativos foram nas montanhas isoladas onde ainda moram para tentar descobri-los. Apareceu gente de tudo que é lado querendo dizer que era parente daquela que querem ver como mulher mais poderosa do mundo. 

Mas Dilma nunca foi lá, não tem contato, não fala a língua. Ela é mineirinha da Silva. Silva é o sobrenome da mãe. Mas os búlgaros dizem que lá também vale a jus sanguinis. Então eles acham que podem dizer que a Dilma é deles também. Mas é um povinho invejoso. Querem ficar famosos de todo jeito. Mas a Dilma é comedora de pão de queijo, não tem jeito. Na minha opinião, em Minas, a jus sanguinis só deveria valer para baixo. Pra cima, não. 

BH se uniu no primeiro turno para escolher uma mulher para presidente. Dilma e Marina tiveram juntas 72% de votação. A intuição dos mineiros diz que é hora de ter na presidência a sensibilidade feminina. O mundo está mundando. Os americanos, que eram racistas, escolheram um negro pra presidente. Está na hora de uma mulher no Brasil. Minas, como sempre, na vanguarda política. 

Para alguns, Dilma é uma mulher com jeito de durona, porque teve uma história difícil. As calúnias na internet dizem até que ela foi “terrorista”. Meu Deus, mas isso é como a ditadura chamava aqueles jovens corajosos que lutaram pela democracia em que vivemos hoje! Ora bolas, Tiradentes agora é “terrorista” também? Estão querendo inverter tudo. Mas mineiro não é pautado por propaganda da época de ditadura. 

Dilma era uma menina idealista de 20 anos quando foi presa e torturada. Resistiu a todos os tipos de provações, sofreu heroicamente para não delatar os colegas. Sofreu por não poder ver a família, dizer que estava viva. Imagina como isso foi difícil para uma menina de classe média alta, inteligente, bonita, que estudou nos melhores colégios e que tinha todo o carinho e conforto de uma boa família mineira. Felizmente, Flor das Minas Gerais nasce e renasce até debaixo de pedra ou fogo. 

Para mim, como conterrâneo, ter lutado tão jovem e bravamente contra a ditadura e hoje poder ser a primeira mulher presidente é motivo de orgulho. Para as mulheres mineiras também, especialmente de BH, que se mostra cada vez mais distante daquele machismo de épocas passadas. 

Mineiro entende de política como poucos, e sabe que desunião é a arma dos adversários do povo. “Dividir para conquistar”, esse é o lema dos poderosos. Por isso, Minas sempre votou unida para Presidente. Antes do voto, podemos discutir duramente, mas, quando decidimos, vamos todos juntos, porque a União faz a força mesmo. 

Ninguém nos pauta. Somos mineiros, não baixamos a cabeça e não somos conduzidos por ninguém. Nós é que decidimos. E decidimos unidos pelo justo, pelo correto, pelo futuro de nossos filhos e pela fé que temos na capacidade de nossa gente. O Mundo conhecerá nosso valor, como nós já conhecemos.

* Gustavo Antônio Galvão dos Santos é Mineiro de BH e doutor em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro

Ps.: caros diplomatas, me perdoem pela brincadeira

6 comentários:

Carlos, Pouso Alegre-MG disse...

Muito legal o que vc escreveu. Vi um link postado num comentário no blog do nassif e vim conferir. Sabe o que eu gostaria de saber melhor, é sobre a eleição para presidente da camara em 2000 onde o Serra fez campanha contra o Aécio e o FHC lavou as mãos. Sempre quis saber mais à fundo mas nunca consegui nenhuma informação na internet. Se vc puder, por favor escreva ficarei grato. Parabens pelo texto.

Anônimo disse...

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Francisco disse...

A FORÇA DA MULHER BRASILEIRA,EM CASA E NA PRESIDÊNCIA

LEMBRE-SE QUE AO SEU LADO VOCÊ TEM O AMPARO DE UMA GRANDE MULHER QUE O FEZ ASCENDER NA SOCIEDADE E SAIR DA BASE DA PIRÂMIDE SOCIAL E ASSIM PASSOU A CONHECER O SIGNIFICADO DE UM SALDO BANCÁRIO,UMA VIDA MAIS CONFORTÁVEL.

MUITOS SÃO OS MARMANJOS QUE AO LADO DESSAS GLORIOSAS MULHERES PASSARAM A INFLUENCIAR NO MEIO SOCIAL,PASSARAM A TER POUCO TEMPO PARA O TRABALHO E HOJE,AS AUXILIAM NO GERENCIAMENTO DO PATRIMÔNIO CONSTRUÍDO POR ELAS.

TAÍ,PENSE NISSO!DEIXE DE SER PRECONCEITUOSO E NO DIA 31 DE OUTUBRO,NESTE DOMINGO PRÓXIMO,VOTE TAMBÉM NUMA GRANDE MULHER - DILMA 13 PARA DAR CONTINUIDADE AOS PROJETOS ECONOMICOS E SOCIAIS DO PRESIDENTE LULA.

SE AO SEU LADO VOCÊ TEM UMA GRANDE MULHER,ESCOLHA UMA OUTRA GRANDE MULHER PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO!

VOTE DILMA PRESIDENTE!!!

Jefferson Milton Marinho disse...

Caro Carlos,

Desculpe-me pela demora em tecer alguns comentários sobre a eleição de Aécio Neves para a presidência da Câmara dos Deputados em fevereiro de 2001. Mas vamos lá pelo que tenho lembrança da época. Peço desculpa se houver algo que não esteja correto.

A eleição para presidência da Câmara dos Deputados em 2001, com vitória do Aécio Neves, foi o início da desarticulação política do bloco governista de FHC. O presidente FHC apoiava a eleição de Inocêncio de Oliveira, do PFL pernambucano, como parte do acordo de governabilidade que reservava ao PFL e ao PMDB as presidências da Câmara e do Senado.

Aécio Neves, com sua habilidade política, convenceu parcela do PSDB paulista ligada ao governador Mário Covas (com a benção deste) a lançar-se candidato à presidência da Câmara após forjar um bloco com o PTB, fazendo do bloco PSDB-PTB a maior bancada da Câmara. Ou seja, foi uma maioria forjada, pois ela só existia no contexto de disputa pelo poder dentro daquela Casa.

De fato, FHC havia fechado cm Inocêncio de Oliveira e Aécio Neves atropelou o acordo. Por óbvio, isso não interessava nem a FHC nem a Serra, que já disputava a indicação para a presidência da República com Paulo Renato e Tasso Jereissati. Como é característica de Fernando Henrique, quando percebeu que a ponte tinha desabado, deixou o trem despencar sem se meter no assunto.

O resultado desse desfecho é conhecido. Aécio se projetou nacionalmente, o que lhe foi útil para a disputa do governo mineiro em 2002. O PFL (hoje DEM) começou a se rebelar em algumas votações e não apoiou a candidatura de Serra em 2002, principalmente após esse ter ajudado a implodir a candidatura de Roseana Sarney. E Lula foi eleito.

Abraços,

Jefferson Marinho

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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